quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

"É possível contar muita mentira dizendo a verdade."

A propaganda do Jornal Folha de São Paulo, em 1989 levou o leão de ouro Cannes, retratando  as qualidades de um dito homem, capaz de fazer uma nação crescer em pouquíssimo tempo, um líder que  diminuiu vertiginosamente o desemprego, aumentou o PIB, que admirava artes, e por fim amplia a imagem revelando escondido em petit-poá; Hitler, o locutor segue:

É possível contar muita mentira dizendo a verdade.

Foi então que abri a porta da definição de verdade e mentira, para Nietzsche um ponto de vista,  para Plantão verdade deve entrar em conformidade com a realidade, para metafísica com a natureza.
Diante de minha efêmera experiência, verdade é juízo interno, capacidade de discernir sombra e luz, verdade é ponto de equilíbrio, nem boa nem ruim, verdade sem amor é crueldade, amor sem verdade é falsidade, equilibrando tudo a verdade vai se manifestando, quando em parceria afetiva se torna uma poderosa muralha, mas se repleta de cientificismo e racionalidade não passa de máquina de destruição, escondida sobre um manto de purificação.
Contudo, quem conta a mentira, ainda que saiba a verdade sente mais conforto na primeira opção, o que o fará entoar paulatinamente até que após muita afirmação a mentira comesse a ressoar como verdade interna, e quando chega neste ponto é que enraizamos falsos valores o que acaba nos distanciando de nossa fonte de inspiração e realização que é a pura consciência.
Consciência move, transforma, é capaz de operar curas e para além é manifestação de sabedoria
porém é difícil de ser acessada quando as amarras emocionais criam prisões, sejam em relacionamentos falidos, trabalhos que abarrotam a mente engolindo o tempo em que antes poderia ser usado para reprogramação mental, sofremos incessantemente ataques de nós mesmo,
Quando perdemos o controle de nossas emoções e instintos acabamos nos Tornando fuhrer de nós mesmos, inquisidores de valores, de verdades absolutas.. Cada vez mais nossa mente sofre uma influência externa fortíssima, nada somos tudo aprendemos, e se tentamos voltar a essência, nos perdemos no caminho desistindo da busca, sem reconhecer que perder-se é parte fundamental de qualquer caminhada.

 A lucidez sempre busca formas de se manifestar, durante o nazismo a arte submerge-se na consciência outrora ausente  no Führer Germânico, Chaplin em uma comédia-dramática - O Grande Ditador- Satiriza a situação do nazismo,  dando uma resposta inteligente, a situação político-social.

Hitler, era ditador da verdade, doente e sem capacidade de discernir,
Chaplin, era ditador da mentira, capaz de carregar dentro de si a consciência.



"...Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos! "




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