A propaganda do Jornal Folha de São Paulo, em 1989 levou o
leão de ouro Cannes, retratando as
qualidades de um dito homem, capaz de fazer uma nação crescer em pouquíssimo
tempo, um líder que diminuiu vertiginosamente
o desemprego, aumentou o PIB, que admirava artes, e por fim amplia a imagem
revelando escondido em petit-poá; Hitler, o locutor segue:
É possível contar muita mentira dizendo a verdade.
Foi então que abri a porta da definição de verdade e
mentira, para Nietzsche um ponto de vista,
para Plantão verdade deve entrar em conformidade com a realidade, para
metafísica com a natureza.
Diante de minha efêmera experiência, verdade é juízo
interno, capacidade de discernir sombra e luz, verdade é ponto de equilíbrio,
nem boa nem ruim, verdade sem amor é crueldade, amor sem verdade é falsidade,
equilibrando tudo a verdade vai se manifestando, quando em parceria afetiva se
torna uma poderosa muralha, mas se repleta de cientificismo e racionalidade não
passa de máquina de destruição, escondida sobre um manto de purificação.
Contudo, quem conta a mentira, ainda que saiba a verdade
sente mais conforto na primeira opção, o que o fará entoar paulatinamente até
que após muita afirmação a mentira comesse a ressoar como verdade interna, e
quando chega neste ponto é que enraizamos falsos valores o que acaba nos
distanciando de nossa fonte de inspiração e realização que é a pura
consciência.
Consciência move, transforma, é capaz de operar curas e para
além é manifestação de sabedoria
porém é difícil de ser acessada quando as amarras emocionais
criam prisões, sejam em relacionamentos falidos, trabalhos que abarrotam a
mente engolindo o tempo em que antes poderia ser usado para reprogramação
mental, sofremos incessantemente ataques de nós mesmo,
Quando perdemos o controle de nossas emoções e instintos
acabamos nos Tornando fuhrer de nós mesmos, inquisidores de valores, de
verdades absolutas.. Cada vez mais nossa mente sofre uma influência externa
fortíssima, nada somos tudo aprendemos, e se tentamos voltar a essência, nos
perdemos no caminho desistindo da busca, sem reconhecer que perder-se é parte
fundamental de qualquer caminhada.
A lucidez sempre
busca formas de se manifestar, durante o nazismo a arte submerge-se na
consciência outrora ausente no Führer
Germânico, Chaplin em uma comédia-dramática - O Grande Ditador- Satiriza a
situação do nazismo, dando uma resposta
inteligente, a situação político-social.
Hitler, era ditador da verdade, doente e sem capacidade de
discernir,
Chaplin, era ditador da mentira, capaz de carregar dentro de
si a consciência.
"...Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres
humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o
seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste
mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as
nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém
nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as
muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e
os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados
dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.
Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e
cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas,
precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e
doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria
natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à
fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha
voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados,
homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres
humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não
desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da
cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso
humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que
do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a
liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos
desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que
ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem
marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos
tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois
máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não
odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os
inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela
liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de
Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos
homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar
máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar
esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em
nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um
mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê
futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao
poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os
ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o
mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à
prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o
progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia,
unamo-nos! "
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